Uma porta aberta

"Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos e Tomé com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco!" (João 20:26).

As portas estavam fechadas. Por que João ressalta essa particularidade toda vez que relata um encontro de pós-ressurreição de Jesus com os discípulos? Toda vez que o Mestre vem a eles, estão por trás de portas trancadas, temendo por sua segurança.

A política de "portas fechadas" dos discípulos simboliza a condição de suas vidas. Ainda não estavam abertos aos desafios que Cristo lhes dera e ao poder que ele proveria a fim de ajudá-los a reagir corajosamente à oportunidade de unir-se a ele na mudança do mundo. Aquele que disse "Eu sou a porta" tinha muito que fazer antes que os discípulos compreendessem que a ressurreição era uma porta aberta para a vida na eternidade e para o viver no presente.

Veja o contraste com o Apóstolo Paulo, que entrou em regiões não evangelizadas, sabendo que era a vontade de Deus que todos os homens ouvissem a mensagem do evangelho: "Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e abrindo-se-me uma porta no Senhor... E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento." 2 Coríntios 2:12 e14. Ele sabia que Deus abriria as portas das oportunidades.

Paulo tinha a segurança do homem moderno que, confiantemente, entra pela porta elétrica sabendo que o olho eletrônico ligará o mecanismo que a abre. Da mesma forma, Paulo sabia que, se prosseguisse, Deus abriria as portas. Perceba isso quando ele pede aos Colossenses que orem: "Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; Para que o manifeste, como me convém falar." Colossenses 4:3-4

O Cristo que tem as chaves confiou-as ao seu povo para a abertura de vidas humanas. Assim como Cristo disse a Pedro que as chaves do reino eram dele, da mesma forma ele nos diz que essas chaves são nossas para abrirmos as portas da fé nas vidas dos incrédulos. As chaves do ouvir em amor, partilhar com honestidade, levar fardos sem reservas, comunicar o evangelho com clareza e ajudar outros a começar uma vida de fé – todas elas são chaves que ele confiou a nós. Recebemos um poder espantoso.

Anos mais tarde o apóstolo João, que após o Pentecostes aprendeu a viver na ousadia do Espírito Santo, teve as Revelações (Apocalipse) vindas de seu Senhor Jesus ressurreto, na ilha de Patmos. Numa dessa revelações o Senhor diz: "E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." Apocalipse 3:7-8

Jesus apresenta-nos uma porta aberta que ninguém pode fechar. O que faremos? Ficaremos trancados em nossos temores ou ousaremos a fazer a obra do Senhor no vigor e inspiração que o Espírito Santo nos concede passando corajosamente pela porta que Ele nos abriu?

A porta Ele abre e a põe diante de nós. Caminhar corajosamente por ela para fazer a obra que temos de fazer é uma decisão que cabe a cada um de nós.


Por Gerson Luiz G Liam, adaptado da meditação de Lloyd Johyn Ogilvie, no livro O QUE DEUS TEM DE MELHOR PARA MINHA VIDA.

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